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Concílio de Trento · 1566
Catecismo Romano
Catecismo do Concílio de Trento (1566) — passagens citadas no Catecismo da Igreja Católica
Tradução de trabalho (não oficial) para o português, a partir da tradução inglesa de McHugh–Callan (1923, domínio público), conferida com o latim.
O texto latino original (domínio público) está no fac-símile do Internet Archive.
Estas são apenas as passagens citadas nas notas do Catecismo da Igreja Católica — não a obra completa.
Parte I — O Símbolo (Credo)
Catecismo Romano · Parte I, cap. 2 = Artigo I (Creio em Deus Pai), §6
(citado em §199 do Catecismo)
Os fiéis professam primeiro crer em Deus
Justamente, pois, professam os fiéis crer primeiro em Deus, cuja majestade declaramos incompreensível com o profeta Jeremias. Pois, como diz o Apóstolo, Ele habita numa luz inacessível, que nenhum homem viu, nem pode ver; como o próprio Deus, falando a Moisés, disse: Nenhum homem verá a minha face e viverá. A mente não pode elevar-se à contemplação da Divindade, à qual nada se aproxima em sublimidade, a não ser que esteja inteiramente desprendida dos sentidos, o que na vida presente somos naturalmente incapazes de fazer.
Catecismo Romano · Parte I, cap. 2 = Artigo I (Creio em Deus Pai), §8
(citado em §200 do Catecismo)
A fé cristã professa um só Deus em natureza, substância e essência
A fé cristã, portanto, crê e professa, como se declara no Símbolo Niceno em confirmação desta verdade, que Deus é um só em Natureza, Substância e Essência. Mas, elevando-se ainda mais alto, assim O entende como um, que adora a unidade na trindade e a trindade na unidade. Deste mistério passamos agora a tratar, por ser o que se segue na ordem do Símbolo.
Catecismo Romano · Parte I, cap. 2 = Artigo I (Creio em Deus Pai), §13
(citado em §274 do Catecismo)
Nada é impossível a Deus: fundamento da fé e da esperança
Além disso, nada há que mais contribua para firmar a nossa fé e animar a nossa esperança do que a convicção profunda de que todas as coisas são possíveis a Deus; pois tudo o que depois se propuser como objeto de fé, por maior, por mais admirável, por mais elevado acima da ordem natural que seja, é facilmente e sem hesitação crido, uma vez que a mente tenha alcançado o conhecimento da onipotência de Deus. Mais ainda: quanto maiores são as verdades que os oráculos divinos anunciam, tanto mais de bom grado a mente as julga dignas de crença. E, ao esperarmos algum favor do céu, não nos deixamos abater pela grandeza do bem desejado, mas nos animamos e confirmamos ao considerar com frequência que não há nada que um Deus onipotente não possa realizar.
Catecismo Romano · Parte I, cap. 5 = Artigo IV (padeceu sob Pôncio Pilatos, crucificado), §11
(citado em §598 do Catecismo)
Os pecadores, autores e ministros dos sofrimentos de Cristo
Além disso, para aumentar a dignidade deste mistério, Cristo não só padeceu pelos pecadores, mas até por aqueles que foram os próprios autores e ministros de todos os tormentos que suportou. Disto nos recorda o Apóstolo nestas palavras dirigidas aos Hebreus: Considerai atentamente aquele que suportou tal contradição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos canseis, desfalecendo em vossos ânimos. Nesta culpa estão envolvidos todos os que caem frequentemente em pecado; pois, assim como os nossos pecados entregaram Cristo Senhor à morte de cruz, certamente aqueles que se revolvem no pecado e na iniquidade crucificam de novo em si mesmos o Filho de Deus, quanto está da sua parte, e O expõem ao escárnio. Esta culpa parece mais enorme em nós do que nos judeus, pois, segundo o testemunho do mesmo Apóstolo: Se eles a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória; ao passo que nós, pelo contrário, professando conhecê-Lo, negando-O todavia por nossas ações, parecemos de certo modo lançar mãos violentas sobre Ele.
Catecismo Romano · Parte I, cap. 6 = Artigo V (desceu aos infernos, ressuscitou), §3
(citado em §633 do Catecismo)
Os mortos, privados da visão de Deus, à espera do Redentor
Isto compreenderemos facilmente comparando as causas da descida de Cristo com as dos outros homens. Estes desceram como cativos; Ele, livre e vitorioso entre os mortos, para subjugar aqueles demônios pelos quais, em consequência da culpa, eram mantidos em cativeiro. Além disso, todos os outros desciam, ou para suportar os mais agudos tormentos, ou, se isentos de outra pena, para serem privados da visão de Deus e atormentados pelo adiamento da glória e felicidade que ansiavam; Cristo Senhor, pelo contrário, desceu não para padecer, mas para libertar os santos e os justos do seu doloroso cativeiro e comunicar-lhes o fruto da sua Paixão. A sua suprema dignidade e poder, portanto, em nada foram diminuídos pela sua descida ao inferno.
Catecismo Romano · Parte I, cap. 10 = Artigo IX (Igreja católica), §1
(citado em §749 do Catecismo)
O artigo da Igreja depende do artigo do Espírito Santo
Este Artigo depende do precedente; pois, tendo já sido mostrado que o Espírito Santo é a fonte e dador de toda a santidade, professamos aqui a nossa crença de que a Igreja foi por Ele dotada de santidade.
Catecismo Romano · Parte I, cap. 10 = Artigo IX (Igreja católica), §20
(citado em §770 do Catecismo)
A Igreja contemplada com os olhos da fé
Finalmente, quanto à Igreja, o pastor deve ensinar como crer que a Igreja pode constituir um Artigo de fé. Embora a razão e os sentidos possam constatar a existência da Igreja, isto é, de uma sociedade de homens na terra devotados e consagrados a Jesus Cristo, e embora a fé não pareça necessária para compreender uma verdade que nem sequer os judeus e os turcos põem em dúvida; contudo, é somente à luz da fé, e não pelas deduções da razão, que a mente pode alcançar aqueles mistérios contidos na Igreja de Deus, os quais foram em parte já dados a conhecer acima e serão novamente tratados no Sacramento da Ordem. Uma vez que, portanto, este Artigo, não menos que os outros, está acima do alcance e desafia as forças do entendimento humano, muito justamente confessamos que não conhecemos pela razão humana, mas contemplamos com os olhos da fé a origem, os ofícios e a dignidade da Igreja.
Catecismo Romano · Parte I, cap. 10 = Artigo IX (Igreja católica), §22
(citado em §750 do Catecismo)
Crer a Igreja, não crer na Igreja
Somos, portanto, obrigados a crer que há uma só Igreja Santa e Católica. No que se refere às Três Pessoas da Santíssima Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, não só as cremos, mas também cremos nelas. Aqui, porém, usamos uma forma diferente de expressão, professando crer a santa Igreja Católica, e não na santa Igreja Católica. Por esta diferença de expressão distinguimos Deus, autor de todas as coisas, das suas obras, e reconhecemos que todos os excelsos benefícios concedidos à Igreja se devem à bondade de Deus.
Catecismo Romano · Parte I, cap. 11 = Artigo X (remissão dos pecados), §3
(citado em §978 do Catecismo)
O perdão pleno e total recebido no Batismo
Quando fazemos pela primeira vez profissão de fé e somos purificados no santo Batismo, recebemos este perdão inteiro e sem reservas; de modo que nenhum pecado, original ou atual, de comissão ou de omissão, resta por expiar, nem pena alguma por suportar. A graça do Batismo, todavia, não isenta de todas as fraquezas da natureza. Pelo contrário, tendo cada um de nós de lutar contra os movimentos da concupiscência, que sempre nos tenta a cometer o pecado, dificilmente se encontrará alguém entre nós que oponha a esses assaltos resistência tão vigorosa, ou que vigie tão atentamente a sua salvação, a ponto de escapar de todas as feridas.
Catecismo Romano · Parte I, cap. 11 = Artigo X (remissão dos pecados), §4
(citado em §979 do Catecismo)
Necessidade de um poder de perdoar distinto do Batismo
Dificilmente se encontrará alguém entre nós que oponha a esses assaltos resistência tão vigorosa, ou que vigie tão atentamente a sua salvação, a ponto de escapar de todas as feridas. Sendo, portanto, necessário que existisse na Igreja um poder de perdoar os pecados distinto do Batismo, foram-lhe confiadas as chaves do Reino dos Céus, pelas quais cada um, se penitente, pode obter a remissão dos seus pecados, ainda que tenha sido pecador até ao último dia da sua vida.
Catecismo Romano · Parte I, cap. 11 = Artigo X (remissão dos pecados), §5
(citado em §982 do Catecismo)
Nenhuma falta é grande demais para o perdão da Igreja
Nem tampouco o exercício deste poder está restrito a determinados pecados. Nenhum crime, por mais hediondo que seja, pode ser cometido ou sequer concebido, que a Igreja não tenha poder de perdoar; do mesmo modo que não há pecador, por mais abandonado, por mais depravado que seja, que não deva ter confiante esperança de perdão, desde que se arrependa sinceramente das suas transgressões passadas.
Catecismo Romano · Parte I, cap. 11 = Artigo X (remissão dos pecados), §6
(citado em §987 do Catecismo)
Sacerdotes e sacramentos, instrumentos de Cristo na remissão dos pecados
Mas, se olharmos para os seus ministros, ou para o modo pelo qual deve ser exercido, a extensão deste poder divino não parecerá tão grande; pois o Senhor não deu o poder de tão sagrado ministério a todos, mas somente aos Bispos e sacerdotes. O mesmo se deve dizer quanto ao modo pelo qual este poder deve ser exercido; pois os pecados só podem ser perdoados por meio dos Sacramentos, quando devidamente administrados. A Igreja não recebeu poder de remitir o pecado de outra maneira. Segue-se, pois, que, na remissão dos pecados, tanto os sacerdotes como os Sacramentos são, por assim dizer, os instrumentos de que se serve Cristo nosso Senhor, autor e dispensador da salvação, para realizar em nós o perdão do pecado e a graça da justificação.
Parte II — Os Sacramentos
Catecismo Romano · Parte II, cap. 2, §5
(citado em §1213 do Catecismo)
O Batismo, porta de entrada na vida cristã
São Dionísio chama-o o princípio dos santíssimos Mandamentos, pela razão evidente de que o Batismo é, por assim dizer, a porta pela qual entramos na comunhão da vida cristã e, a partir de então, começamos a obedecer aos Mandamentos.
Catecismo Romano · Parte II, cap. 5, §4
(citado em §1431 do Catecismo)
Significado da penitência interior
A penitência interior consiste em voltar-se para Deus sincera e cordialmente, odiando e detestando as nossas transgressões passadas, com firme propósito de emenda de vida, na esperança de obter o perdão pela misericórdia [de Deus]. Acompanha esta penitência, como companheira inseparável da detestação do pecado, uma dor e tristeza, que é uma certa agitação e perturbação da alma, e que muitos chamam de paixão. Por isso, muitos dos Padres definem a penitência como uma angústia da alma.
Catecismo Romano · Parte II, cap. 5, §18
(citado em §1468 do Catecismo)
A eficácia da Penitência: reconciliação, paz e alegria
Antes de tudo, pois, a grande eficácia da Penitência consiste nisto: que nos restitui à graça de Deus e nos une a Ele na mais estreita amizade. Nas almas piedosas que se aproximam deste Sacramento com devoção, seguem-se a esta reconciliação uma profunda paz e tranquilidade de consciência, juntamente com uma alegria inefável da alma. Pois não há pecado, por maior ou mais horrível que seja, que não possa ser apagado pelo Sacramento da Penitência, e isto não apenas uma vez, mas repetidamente.
Catecismo Romano · Parte II, cap. 5, §21
(citado em §1450 do Catecismo)
As três partes da Penitência: contrição, confissão, satisfação
Ora, é próprio deste Sacramento que, além da matéria e da forma, que tem em comum com todos os demais Sacramentos, possua também, como dissemos, as partes que constituem a Penitência, por assim dizer, inteira e completa; a saber, a contrição, a confissão e a satisfação. Sobre estas assim fala São João Crisóstomo: A penitência leva o pecador a suportar tudo de bom grado: no coração, a contrição; na boca, a confissão; nas obras, toda a humildade e a satisfação frutuosa.
Parte III — O Decálogo
Catecismo Romano · Parte III, cap. 2, §4
(citado em §2086 do Catecismo)
O primeiro mandamento contém fé, esperança e caridade
A parte preceptiva contém um preceito de fé, esperança e caridade. Pois, reconhecendo que Deus é imóvel, imutável, sempre o mesmo, confessamos com razão que Ele é fiel e inteiramente justo. Por isso, ao assentirmos aos seus oráculos, necessariamente Lhe damos toda a crença e obediência. Além disso, quem pode contemplar a sua onipotência, a sua clemência, a sua espontânea beneficência, e não depositar n'Ele todas as suas esperanças? Por fim, quem pode contemplar as riquezas da sua bondade e do seu amor, que Ele derrama sobre nós, e não O amar? Daí o exórdio e a conclusão de que Deus se serve na Escritura, ao dar os seus mandamentos: Eu, o Senhor.
Catecismo Romano · Parte III, cap. 10, §13
(citado em §2536 do Catecismo)
"Não cobiçarás": não desejar o que pertence a outrem
Quando, pois, a Lei diz: Não cobiçarás, quer dizer que não devemos desejar aquilo que pertence a outrem. A sede do que pertence a outrem é intensa e insaciável; pois está escrito: O avarento não se saciará com dinheiro; e a respeito de tal homem diz Isaías: Ai de vós que ajuntais casa a casa, e juntais campo a campo.
Catecismo Romano · Parte III, cap. 10, §23
(citado em §2537 do Catecismo)
Os que mais devem ser exortados contra a cobiça
Àqueles que, mais do que os outros, são escravos da concupiscência, deve o pastor exortar com maior insistência a observar este Mandamento. São estes: os que se entregam a divertimentos impróprios, ou que se dão imoderadamente ao lazer; os mercadores, que desejam a escassez, e que não suportam que outros compradores ou vendedores os impeçam de vender mais caro ou comprar mais barato; os que desejam ver o seu próximo reduzido à necessidade, para que eles próprios lucrem ao comprar ou vender; os soldados que têm sede de guerra, para se enriquecerem com o saque; os médicos, que desejam a propagação da doença; os advogados, ávidos de um grande número de causas e litígios; e os artesãos que, por ganância, desejam a escassez das coisas necessárias à vida, para aumentarem os seus lucros.